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Entrevista com o diretor Ramilson Holanda

  • 6 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

Por Kayla Ramos


No mês de agosto, nossa escola está completando três anos de fundação. Para entendermos um pouco mais sobre a essência da EP Giselda Teixeira, entrevistamos o diretor da escola Ramilson Holanda, ligado diretamente à EPGT desde sua fundação.

Nesse mês, nossa escola está completando três anos de existência, embora seja uma instituição tão jovem, já é possível falar de frutos?

Nós tivemos vários e vários projetos, metodologias ativas, fruto da nossa unidade, fruto do nosso respeito. Nós temos, desde uma formação debaixo de um juazeiro, colhendo a semente, para dar frutos nessa escola, até um intercâmbio nos Estados Unidos com nossos alunos e professores. Nós temos desde alunos que chegaram com déficit de aprendizagem e que se submeteram a vestibulares e Enem e que foram aprovados em uma e em duas universidades.

Então, sim, nós já podemos falar desses frutos. Nós podemos falar de frutos como a linda congregação de professores que se relacionam muito bem, e um grupo de colaboradores, servidores, equipe técnica, núcleo gestor que conseguem superar todas as dificuldades e desafios que são postos, e é interessante que isso se transforma num lindo fruto, de repente a gente está ali, vislumbrado um lindo fruto, por conta da solidariedade, por conta da cooperação, por conta do carinho que nós temos um pelo outro, por conta do respeito que nós temos um pelo outro.

Nosso “carro-chefe” é a aprendizagem cooperativa, como a escola conheceu essa filosofia?

Quando falamos de frutos, é necessário falarmos da semente que proporcionou tudo isso: a aprendizagem cooperativa. Essa semente foi, como nós cearenses dizemos, “catada à olho cru” para que a gente pudesse dar para a estrutura física dessa escola uma frondosa e sempre verde calda.

Nós fomos encontrar essa semente lá no Cipó, uma localidade de Pentecoste, e foi dali, com apoio do Professor Manoel de Andrade e tantos outras pessoas, como professora Dóris, como a própria SEDUC, que conhecemos essa filosofia, que é simbolizada pela semente do juazeiro, justamente pela resistência a tempos difíceis.

Durante esses 3 anos foram muitas mãos que construíram essa escola e nos apoiaram com essa ideia, mas eu queria simbolicamente falar da semente do juazeiro, que trouxemos lá do sertão de Pentecoste para plantarmos na nossa escola. Hoje, alicerçada pela aprendizagem cooperativa, a EP Giselda Teixeira se diferencia das demais pelo seu jeito de acolher, pelo seu jeito de abraçar, pelo seu jeito de compreender as relações estabelecidas dentro dela e fora dela. Por isso, a semente do juazeiro se uniu aqui em nossa escola à semente do girassol, por representar, além da resiliência, a nossa sensibilidade e nossa generosidade.

Na sua opinião, qual o principal desafio de um diretor escolar no contexto da educação atual?

Temos vários, enquanto diretor. Não é fácil implantar uma escola como a Giselda Teixeira, não é fácil dar alma a uma Escola profissionalizante de tempo integral, não é fácil conduzir os desafios do dia a dia, mas, eu diria que é muito gostoso, porque não falta mãos para nos ajudar, não falta pessoas para nos escutar e não falta pessoas também para nos consultar. É isso o que mantém o núcleo gestor.

Um gestor para trabalhar na Escola Maria Giselda Coelho Teixeira precisa ter sensibilidade, nós precisamos ter a ternura sem perder a razão. Então, eu diria que o desafio de um diretor no contexto da educação atual de uma escola profissional é esse, a sensibilidade, o saber escutar, dialogar, entender as inter-relações que existem dentro da escola e fora da escola e não ficar parado, oportunizar ao professor e ao aluno possibilidades. O diretor não pode fazer o que ele já fez ou que já vinha fazendo, é preciso inovar, é preciso criar, e para criar e inovar ele precisa de uma equipe que pensa, de uma equipe que desafia.

E, agora, quais os aspectos positivos do trabalho de um gestor escolar?

Em poucos meses, nós tivemos visitas em grandes multinacionais, diante dos cursos que nós temos, Curso de Rede de Computadores, Administração, Guia de Turismo e Segurança do Trabalho. Todos os primeiros alunos que tiveram oportunidade de passar por esses cursos fizeram grandes viagens para vivenciar na prática a experiência de ser um técnico, de ser um profissional. Não é simplesmente porque está no currículo ou simplesmente porque o coordenador pediu, é porque existe um núcleo gestor que entende a importância de uma proposta como essa e faz de tudo para que isso aconteça.

Então, na verdade o núcleo gestor tem esse papel positivo de desafiar a equipe, de sempre estar desafiando os alunos.

No momento atual, como consequência da pandemia, o grande desafio da escola tem sido o ensino remoto, como a EP tem se adaptado a essa forma de ensino?

No momento atual, as consequências da pandemia são realmente graves e desafiantes. Digamos que nós não conseguimos escapar delas emocionalmente ou até mesmo no aspecto pedagógico. Mas logo que nós recebemos esse desafio, nós começamos a dialogar (professores, coordenadores e núcleo gestor) no projeto de como nós iríamos viabilizar essa situação de atendimento ao aluno. Eu me lembro muito bem da correria que foi no dia para nós entregarmos os roteiros, os livros, que chegasse a cada aluno uma cartinha da escola para que pudesse entender o que estava acontecendo, ou seja, nós não deixamos os nossos segmentos à soltas, sem saber o que está acontecendo na escola. Mas eu acredito muito nesse momento que nós estamos vivenciando como um aprendizado para toda a comunidade.

Como ficou a aprendizagem cooperativa com o ensino remoto?

A nossa filosofia de vida, no caso a aprendizagem cooperativa e solidária, não quebrou. Nossos alunos de imediato formaram suas células cooperativas virtuais, que chegaram e disseram: “Nós vamos ajudar o nosso colega que não entende a plataforma”, “nós vamos formar um grupo para ajudar”, “vamos ajudar os professores, porque esse momento chegou de imediato”. E aí, eu diria que ficou a aprendizagem cooperativa solidária não perdeu, ela deu continuidade em grandes projetos que foram além da escola.

Para finalizar, como você enxerga a EP Giselda Teixeira daqui a 5 anos?

Enxergar a EP Giselda Teixeira em cinco anos é enxergar uma escola tecnológica, mas não tecnológica “seca”, mas sim, com maior poder de assertividade, com maior poder de emoção, com maior poder de juntar, com maior poder de se solidarizar.

Então, essas minhas palavras. Agradeço e estou à disposição. Desejo tudo de bom nesses três anos em que nossa escola existe. Parabéns a todos, parabéns a todos que contribuíram para que nós estivéssemos vivenciando esse momento tão importante.

 
 
 

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